O termo eólico vem do latim aeolicus, pertencente ou relativo a Éolo, deus dos ventos na mitologia grega e, portanto, pertencente ou relativo ao vento.

O recurso energético
A energia dos ventos é uma abundante fonte de energia renovável, limpa e disponível em todos os lugares. Existem, atualmente, mais de 30.000 turbinas eólicas de grande porte em operação no mundo, com capacidade instalada da ordem de 13.500 MW. No âmbito do Comitê Internacional de Mudanças Climáticas, está sendo projetada a instalação de 30.000 MW, por volta do ano 2030, podendo tal projeção ser estendida em função da perspectiva de venda dos "Certificados de Carbono".

No Brasil, embora o aproveitamento dos recursos eólicos tenha sido feito tradicionalmente com a utilização de cataventos multipás para bombeamento d'água, algumas medidas precisas de vento, realizadas recentemente em diversos pontos do território nacional, indicam a existência de um imenso potencial eólico ainda não explorado.

Grande atenção tem sido dirigida para o Estado do Ceará por este ter sido um dos primeiros locais a realizar um programa de levantamento do potencial eólico através de medidas de vento com modernos anemógrafos computadorizados. Entretanto, não foi apenas na costa do Nordeste que áreas de grande potencial eólico foram identificadas. Em Minas Gerais, por exemplo, uma central eólica está em funcionamento, desde 1994, em um local (afastado mais de 1000 km da costa) com excelentes condições de vento.

A capacidade instalada no Brasil é de 20,3 MW, com turbinas eólicas de médio e grande portes conectadas à rede elétrica. Além disso, existem dezenas de turbinas eólicas de pequeno porte funcionando em locais isolados da rede convencional para aplicações diversas - bombeamento, carregamento de baterias, telecomunicações e eletrificação rural.

A energia eólica poderá também resolver o grande dilema do uso da água do Rio São Francisco no Nordeste (água para gerar eletricidade versus água para irrigação). Grandes projetos de irrigação às margens do rio e/ou envolvendo a transposição das águas do rio para outras áreas podem causar um grande impacto no volume de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas e, consequentemente, prejudicar o fornecimento de energia para a região. Entretanto, observando o gráfico abaixo, percebe-se que as maiores velocidades de vento no nordeste do Brasil ocorrem justamente quando o fluxo de água do Rio São Francisco é mínimo. Logo, as centrais eólicas instaladas no nordeste poderão produzir grandes quantidades de energia elétrica evitando que se tenha que utilizar a água do rio São Francisco.

Componentes do sistema

Aerogeradores: dispositivos com um gerador destinado a converter energia eólica em energia elétrica.

Diferenciam-se entre modelos de eixo vertical (VAWT = Vertical Axis Wind Turbine) e modelos de eixo horizontal (HAWT = Horizontal Axis Wind Turbine). Existem aerogeradores e uma pa, duas pás, três pás, a partir dai são conhecidos como multi-pás. Os HAWT precisam ser direcionados para o vento, enquanto que os VAWT trabalham independente da direcao dele.

Ou componentes específicos do sistema são:

  • Rotor: Responsável por transformar a energia cinética do vento em energia mecânica de rotação.
  • Transmissão e Caixa Multiplicadora: Responsável por transmitir a energia mecânica entregue pelo eixo do rotor até a carga. Alguns geradores não utilizam este componente; neste caso, o eixo do rotor é acoplado diretamente à carga.
  • Gerador Elétrico: Responsável pela conversão da energia mecânica em energia elétrica.
  • Mecanismo de Controle: Responsável pela orientação do rotor, controle de velocidade, controle da carga, etc.
  • Torre: Responsável por sustentar e posicionar o rotor na altura conveniente.
  • Sistema de Armazenamento: Responsável por armazenar a energia para produção de energia firme a partir de uma fonte intermitente.
  • Transformador: Responsável pelo acoplamento elétrico entre o aerogerador e a rede elétrica.
  • Acessórios: São os componentes periféricos.

Aplicações

Um sistema eólico pode ser utilizado em três aplicações distintas: sistemas isolados, sistemas híbridos e sistemas interligados à rede. Os sistemas obedecem a uma configuração básica, necessitam de uma unidade de controle de potência e, em determinados casos, conforme a aplicação, de uma unidade de armazenamento.

Os sistemas isolados de pequeno porte, em geral, utilizam alguma forma de armazenamento de energia. Este armazenamento pode ser feito através de baterias ou na forma de energia potencial gravitacional com a finalidade de armazenar a água bombeada em reservatórios elevados para posterior utilização. Alguns sistemas isolados não necessitam de armazenamento, como no caso dos sistemas para irrigação onde toda a água bombeada é diretamente consumida.

Os sistemas híbridos são aqueles que apresentam mais de uma fonte de energia como, por exemplo, turbinas eólicas, geradores Diesel, módulos fotovoltaicos, entre outras. A utilização de várias formas de geração de energia elétrica aumenta a complexidade do sistema e exige a otimização do uso de cada uma das fontes. Nesses casos, é necessário realizar um controle de todas as fontes para que haja máxima eficiência e otimização dos fluxos energéticos na entrega da energia para o usuário. Em geral, os sistemas híbridos são empregados em sistemas de médio porte destinados a atender um número maior de usuários. Por trabalhar com cargas em corrente alternada, o sistema híbrido também necessita de um inversor. Devido à grande complexidade de arranjos e multiplicidade de opções, a forma de otimização do sistema torna-se um estudo particular a cada caso.

Os sistemas interligados à rede não necessitam de sistemas de armazenamento de energia pois toda a geração é entregue diretamente à rede elétrica. Estes sistemas representam uma fonte complementar ao sistema elétrico de grande porte ao qual estão interligados.  Os sistemas eólicos interligados à rede apresentam as vantagens inerentes aos sistemas de geração distribuída tais como: a redução de perdas, o custo evitado de expansão de rede e a geração na hora de ponta quando o regime dos ventos coincide com o pico da curva de carga.

Principais projetos no Brasil e no mundo

Apesar de vários trabalhos e pesquisas científicas realizadas nas décadas de 70 e 80 a geração de energia a partir de turbinas eólicas no Brasil teve início apenas em julho de 1992, com a instalação de uma turbina de 75kW na ilha de Fernando de Noronha, através de iniciativa pioneira do Centro Brasileiro de Energia Eólica - CBEE, na época conhecido como Grupo de Energia Eólica da Universidade Federal de Pernambuco.

Hoje, a capacidade instalada no Brasil é de 20,3 MW, com instalações eólicas de grande porte nos estados do Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná, e se trabalha com o objetivo de instalar 1.000MW de energia eólica no País até 2005; meta estabelecida durante Encontro do Fórum Permanente de Energias Renováveis, realizado em Brasília.

Os principais projetos de energia eólica do Brasil:

Estado

Local

Geradores

Capacidade Instalada

Produção Anual Prevista

Estado Atual

Ceará

Taíba

ENERCON

5 MW

17.500 MWh

Operação

Prainha

ENERCON

10 MW

35.000 MWh

Operação

Mucuripe

TAKE

1,2 MW

3.800 MWh

Operação

Paracurú

-

30 MW

-

Estudo

Camocim

-

30 MW

-

Estudo

Minas Gerais

Morro do Camelinho

TAKE

1,0 MW

800 MWh

Operação

Pará

Vila Joanes

BERGEY

40 KW

-

Operação

Costa NE

-

100 MW

-

Estudo

Paraná

Palmas I

ENERCON

2,5 MW

7.000 MWh

Operação

Palmas II

ENERCON

9,5 MW

-

Estudo

Palmas III

ENERCON

75 MW

-

Estudo

Pernambuco

F. Noronha

FOLKCENTER

75 KW

-

Operação

Rio de Janeiro

Cabo Frio

-

10 MW

-

Estudo

Na Dinamarca, a contribuição da energia eólica é de 12% da energia elétrica total produzida; no norte da Alemanha (região de Schleswig Holstein) a contribuição eólica já passou de 16%; e a União Européia tem como meta gerar 10% de toda eletricidade a partir do vento até 2030.

Fontes:
http://www.eolica.com.br/energia.html
http://www.cresesb.cepel.br



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